Helder Moutinho



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Há quem faça da sua história musical um instrumento acelerado para chegar aos outros. No entanto, a sofreguidão de quem não quer saber o que importa mais para quem ouve - a porção dos produtos oferecidos ou a substância dos predicados? -, não augura um lugar na história. Helder Moutinho contraria o parágrafo introdutório.

Ponderado e instruído do chão que pisa, tem editado comedidamente mas sem timidez no que há competência diz respeito.

Em 1999, lançou “Sete Fados e Alguns Cantos”, 4 anos depois, “Luz de Lisboa”, e “Que Fado É Este Que Trago”, em 2008. Tem sido assim, a mapear o tempo de quatro em quatro anos, que Helder Moutinho tem cimentado o seu talento no universo do fado.

Em Janeiro deste ano voltou com o disco mais conceptual da sua carreira, “1987”. Tudo nasceu a partir do poema “Venho de um Tempo”, escrito pelo próprio.

O disco é constituído por 16 temas-poemas, confessionais e ficcionados, quatro por cada autor: Helder Moutinho aborda a temática “Os dias da liberdade”; João Monge a “História de um desencontro”; José Fialho Gouveia o “O luto de uma relação” e Pedro Campos, que além das letras também se responsabiliza pelas músicas, conta a história imaginária de “Maria da Mouraria”. Disco belíssimo, contou com a participação dos suspeitos do costume, os músicos-amigos de eleição do fadista: Ricardo Parreira (guitarra portuguesa), Marco Oliveira (viola), Fernando Araújo (baixo) e o produtor musical Frederico Pereira.

A beleza da ambiência e poesia de “1987”, não resulta apenas da excepcional qualidade dos fados que o constituem, também da raiz física e estrutural que deu corpo sonoro aos temas. O disco foi gravado no magnífico Palácio Marquês de Tancos, espaço histórico com condições acústicas invejáveis, e com uma vista privilegiada sobre a Mouraria, o Tejo e a baixa lisboeta.